A partir de hoje vou tentar falar um pouco sobre artes plásticas (especialmente do século XX em diante, acho que já se falou muito das obras anteriores). Para que esse blog traga elementos diferentes do que se pode encontrar em outros sites de referências vou tentar tratar de pontos específicos nas telas apresentadas.
Hoje falarei do REALISMO e escolhi o quadro de um dos meus artistas prediletos, Edward Hopper, em especial pela riqueza de detalhes que podemos retirar da tela.
Hopper trabalhou como ilustrador de revistas, e embora não gostasse do trabalho, essa atividade apurou sua habilidade composicional. Em suas telas contidas, indiferentes e realistas, Hopper trabalha com uma marcante sensação de solidão, alienação urbana, isolamento, melancolia e um certo cinismo com o qual convida o espectador a compartilhar dessas emoções (perceba como a linha do horizonte costuma estar da metade pra baixo em seus trabalhos onde a tela funciona como uma janela colocando-o como parte das cenas retratadas)
Nome: Nighthawks - 1942
Autor: Edward Hopper
Contexto Histórico/Artístico: O começo do século XX foi marcado pelo amadurecimento das técnicas de fotografia, o que levou artistas plásticos a redefinirem sua contribuição artística pictórica. Depois da 1ª Guerra Mundial, os artistas entraram no espírito da celebração da mecanização e da velocidade que geraria o modernismo. O termo "Realismo" (que ocorreu junto com Precisionismo e Regionalismo) representa uma tendência geral de artistas americanos em se distanciar da influência modernista européia. O tema cotidiano nas áreas proletárias (urbanas e rurais) convida o espectador a criar contexto e interpretar as situações propostas.
1 - O lado mais nobre do campo é o direito por excelência (se você é ocidental) e é onde os artistas (diretores de cinema, artistas plásticos) revelam algo ao espectador. Aqui o contraste é claro. Do lado esquerdo uma escuridão sinistra, ao ponto que ao lado direito temos a "ação" marcada pela luz fluorescente do restaurante dando um ar teatral aos personagens.
2 - A fachada curva do restaurante não tem portas. Hopper cria diversos distanciamentos nesse quadro e colocar os personagens em um aquário inacessível é um deles.
3 - Ainda falando de distanciamento, percebam como os personagens não interagem entre si. Apesar de parecer um casal, a mulher e o homem estão presos em seus pensamentos. Eles só parecem próximos na verdade pelo grande vazio ao redor deles. A mão que quase se toca é uma pegadinha de perspectiva (já que a mão dele está a frente definitivamente não encostando na dela) mais uma vez reforçando a ideia de solidão. O terceiro cliente mal é percebido na primeira vez em que se olha para a tela (já que tendemos a correr os olhos da esquerda para a direita totalmente atraídos pela luz) entretanto ele é um forte elemento de composição, seu anonimato salienta o senso de realidade ensimesmada e impenetrável da pintura.
4 - A rua deserta, as janelas escuras, a vitrine melancólica, os bancos vazios. Todos esses elementos potencializam o que acontece dentro do restaurante.
5 - Cuidadosamente Hopper usa as cores mais fortes para determinar exatamente a atenção focal desejada. Pintando o vestido de vermelho e o cabelo de ruivo, Hopper garante que o campo visual do espectador gravite em torno da mulher e não se perca na escuridão nem na luz.
6 - As duas cafeteiras servem como contrapeso masculino/feminino ao casal sentado no bar e assumem tanta importância como moldura da cena que chegam a compor como se fossem mais dois clientes.
Convido o leitor a compartilhar análises de outras belíssimas obras de Edward Hopper. Percebam como alguns elementos já citados se repetem. E lembre-se, se se sustenta na tela, você provavelmente está certo.
![]() |
| Room in New York - 1932 |
![]() |
| New York Movie - 1939 |
![]() |
| Summer Evening - 1947 |
![]() |
| Excursion into Phylosophy - 1959 (Essa obra é tão fantástica que devo fazer um post pra ela também) |





0 comentários:
Postar um comentário