16 de agosto de 2011

Sucker Punch ( O soco do Otário)



Antes de começar a falar sobre o filme gostaria de dizer que só consegui analisar os primeiros 25min do filme. Após 25min não existe absolutamente nada que mereça crédito.

Sucker Punch conta a história de Baby Doll, uma adolescente que na tentativa de salvar sua irmã menor de ser estuprada por seu padrasto acaba matando-a e é internada em um hospício como parte do plano maligno de seu padrasto em roubar a herança da família. Na tentativa de sobreviver à experiência terrível da internação (já que parte do staff do hospício abusa das meninas) Baby Doll escapa para um mundo de fantasia onde pode elaborar sua fuga.

Dirigido pelo "revolucionário" diretor Zack Snyder, Sucker Punch constantemente pula da fantasia à realidade sem a menor hesitação, e o fato da realidade de Zack Snyder já ser extremamente estilizada compromete os saltos (falha que não aparece no também extremamente estilizado "Noiva Cadáver" de Tim Burton). Outro fator que compromete a identificação com quase qualquer elemento do roteiro é a abertura do filme, onde é aberta uma cortina e a história começa a ser contada a partir de um palco, um aviso ao espectador de que nada daquilo é real.

Dito isso Snyder abre (mais uma vez) o filme com um video clipe em slow motion. Porém, se a escolha pareceu sensata ao fazer uma apresentação do mundo em que se desenrola a história de "Watchmen" aqui soa completamente inadequado para tratar de temas como assassinato, abuso sexual, incesto e pedofilia. Ao ser levada ao hospício, onde os vilões discutem o destino da protagonista na frente dela, descobrimos que as meninas serão violentadas sexualmente, e nesse momento Snyder perde a mão dos critérios que ele vai utilizar pra conduzir o conflito dos personagens. Se por um lado Snyder usa TODOS os eufemismos e metáforas possíveis pra não precisar mostrar as cenas em que elas realmente são violentadas, por outro ele inunda todo o filme com o máximo de fetichismo possível. Mas é fácil imaginar o critério decisivo: ser cool. Pouco importa se tem alguma função narrativa ou artística, o importante é ser cool.

Para ilustrar, vejamos a primeira cena em que Baby Doll parte para a fantasia. A protagonista aparece em um cenário asiático, em frente a um templo iluminado. Ao adentrar ela é recebida por um monge sentado em frente a um altar com velas. Você já viu todos esses elementos e sabe o que eles significam. Mas não aqui. O conselho que o suposto mentor dá para a protagonista são duas pistolas!!! Por que se utilizar dos elementos gráficos do mestre Zen? Simples, porque é cool!! 

O primeiro "desafio" de Baby Doll é vencer 3 samurais gigantes (de pedra?). Sendo que um deles está armado com uma gatling gun colossal. Samurais com armas de fogo são cool! Se isso tudo não soa absurdo o bastante, sua suspensão voluntária de descrença vai para o espaço quando Baby Doll é chutada a centenas de metros, derruba duas paredes e faz um buraco no chão ao cair e não sofre NENHUM arranhão. A partir daí o filme se torna chato, já que não há consequências para nada que acontece na tela.

A falta de coesão em estabelecer regras às realidades alternativas enfraquece toda a projeção, já que ao desconhecer forças e fraquezas dos personagens só resta ao espectador aguardar o fim do filme enquanto assiste a protagonista ir do ponto "A" ao ponto "B" como em fases de video game. Em linhas gerais, se Zack Snyder queria fazer uma analogia ao "poder feminino", o que ele demonstra no filme é que uma mulher só pode vencer a opressão masculina no campo da imaginação ou vestida como stripper e se utilizando do sexo no mundo real.







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