21 de junho de 2011

14 Blades (2010)

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O gênero ação/aventura chinês sempre me fascinou.  Desde as produções da antiga China Video, onde era louvável o uso de diversos artifícios mambembes em prol de boas cenas de ação até o casamento recente com a indústria de efeitos especiais, que deu um ar épico a algumas projeções. Mas somente a algumas. 

"14 Blades" conta a história de Green Dragon (Donnie Yen), um agente secreto de elite, que é traído em uma missão e precisa chegar até o imperador no sentido de impedir uma trama maligna. Pelo menos foi isso o que eu entendi, pois o filme fracassa em todos os seus atos e fica difícil estabelecer a relação dos personagens, suas motivações e contra o que realmente eles estão lutando.

Já em sua abertura o roteiro se preocupa em descrever exaustivamente as "14 espadas" e por que foram criadas. Infelizmente isso se revela totalmente desnecessário durante a projeção, pois em nenhum momento vemos a real utilidade das 14 lâminas. Se Green Dragon tivesse só uma espada, teria dado conta do recado do mesmo jeito.

Essa incoerência acontece durante todos os 3 atos. Se por um momento o roteiro e direção de arte perdem tempo mostrando gadgets steampunk e descaracterizando anos de linguagem visual oriental, minutos depois somos apresentados a poderes "místicos" que me fazem perguntar o porquê de investir em "tecnologia" se é mais eficaz estudar "magia". A partir daí o filme não se permite uma lógica visual pulando do steampunk para o western passando por piratas (não orientais) e longos planos com temática árabe (sim, árabe, e com direito a trilha sonora). Diante disso o filme se sabota em sua própria temática e falha em estabelecer qualquer ligação entre o espectador, o mundo em que se passa a história e os personagens.  

Além disso, a montagem não permite uma clareza do enredo incluindo desnecessárias narrações em "off" onde o filme poderia claramente mostrar ao invés de contar certos acontecimentos (o começo e o fim do filme, por exemplo). Também não é justificável certos personagens aparecerem (e desaparecerem) quando é conveniente ao roteiro. A própria direção comete os mesmos erros não se decidindo como filmar os planos. Sendo assim, uma casual conversa pode ser filmada com rápidos cortes e câmera “tremida” e uma cena de ação com o deselegante zoom in sem a menor função narrativa.

 O filme poderia se recuperar se pelo menos tivesse boas ou belas lutas (como "Hero", "Clã das adagas Voadoras" e "O Tigre e o Dragão" apenas para citar alguns). Porém em todas as lutas eu tive saudades da antiga China Video.  Se não era a câmera insistente em planos fechados, cortes rápidos e um total desconforto em utilizar o slow motion era a direção de arte misturando paletas dos figurinos com a cenografia em uma escuridão inexplicável. Mesmo em cenas diurnas (que são raras, pois boa parte do filme se passa numa madrugada eterna) os personagens correm para lutar em calabouços ou estalagens escuras. Uma pena, pois quem pôde conferir " Yip man" 1 ou 2 sabe que Donnie Yen é um lutador/ator talentosíssimo.

"14 Blades" é um filme  feito para agradar os fãs de anime e live action com uma história mal costurada que serve exclusivamente como ponte entre as cenas de lutas. Infelizmente a direção de arte atrapalhada e um diretor pouco habilidoso com a linguagem do cinema conseguem frustrar as expectativas mesmo de um espectador pouco exigente.


2/5 Leopardos

2 comentários:

Bardo disse...

E o etólogo virou filmólogo... :)

Gustavo disse...

Amador... ahaha!