5 de dezembro de 2009

SUA PRETENSIOSA MENTE

Hoje falaremos um pouco sobre cérebro/mente. Como não entendo nada sobre cérebro (tudo que sei é o que a Suzana Herculano fala e mesmo assim vivo esquecendo), vou falar mais sobre mente, que é um assunto subjetivo o suficiente pra que eu seja leviano sem me sentir culpado.

Bom, teremos posts mais técnicos onde falaremos dos mapas mentais, e alguns filosóficos (sim, puramente filosóficos) onde vou mostrar a capacidade que sua mente tem de pregar peças em você e que você não pode confiar muito nela. Hoje teremos (por que eu falo no plural?) um assunto semelhante: Como sua mente virou uma especialista em mentir pra você?

http://www.chinadaily.com.cn/life/images/attachement/jpg/site1/20080704/000802ab801809d7baf801.jpgDale Carnegie há quase 100 anos atrás disse que o som que qualquer pessoa mais gosta de ouvir é o som do próprio nome falado. Ele está corretíssimo, e existem diversas técnicas de PNL em cima disso (já viram negociadores de forças especiais lidando em situações onde há um agressor com reféns? Os especialistas usam frequentemente o nome do agressor na tentativa de manipular a conversa. Falaremos mais sobre isso). Carnegie talvez não soubesse que nossa mente é tão fascinada por ela mesma que "inconscientemente" achamos mais atraentes até as letras que formam nosso nome separadas do conjunto. É bem provável que você nunca tenha percebido isso e nem como a nossa mente arranja maneiras de desculpar nossas falhas e diminuir nossas imperfeições. Isso porque a maneira natural de conhecer o mundo e nós mesmos passa pelo prisma deturpardor de nosso próprio cérebro.


Veja um exemplo comum. Se você perguntar pra conhecidos se eles são bons em Português ou se são bons motoristas, eles lhe dirão que são tão bons ou melhores que a média. Sempre nos colocamos na parte superior do gráfico e sabemos que isso é estatísticamente improvável, mas tem explicação.

Pra começar. seu cérebro interpreta a pergunta da maneira que for melhor pra você. Veja, eu me considero um excelente motorista mesmo tendo batido em carros que estavam estacionados, passado por cima de catracas de estacionamento e não sendo  muito habilidoso em vagas apertadas. Minha mulher, ao contrário, é capaz de estacionar um carro num piscar de olhos, mesmo que a vaga seja exatamente do tamanho do carro. Ela dirige em qualquer condição climática (até em furacões, apagões e tsunamis). Entretanto,  confia demais nas próprias habilidades a ponto de ser levemente (e perigosamente) desatenta. Ela também considera excelente suas habilidades em direção. Você começa a ver que todo mundo se sente no direito de estar acima da média dos motoristas. Caso questionem sobre uma habilidade favoravelmente ambígua, você interpreta a pergunta de forma a atender suas próprias características.

Em outro extremo, não importa se você é um completo fracasso em uma determinada área, seu cérebro dá um jeito de diminuir a habilidade em questão. Você assiste isso quase diaramente. Pessoas que  são incapazes de fazer exercícios físicos (por indisciplina ou preguiça) dizerem que é perda de tempo ir à academia. Professores de Letras afirmarem que Química é inútil, e professores de Química afirmarem que se ensina muita coisa inútil em Letras. Pessoas extremamente ciumentas justificarem seus rompantes com "quem ama tem ciúme" (pra todo ciumento isso é uma virtude). É uma maneira esperta de intensificação do auto-aprimoramento. Nossa mente nos faz acreditar que nossas "raras" fraquezas são tão comuns que fazem parte da falibilidade humana. Já nossas virtudes, são especiais e únicas.


Continua...

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