Durante o fim de semana estava em uma fila em um fast food de renome quando me pego ouvindo a conversa do casal à frente. A mulher se queixava que fazia tempo que não via seus amigos e que por algum motivo ela não tinha nem notícia deles. Eles não eram muito mais velhos que eu, e em uma época de internet eu por alguns segundos achei estranho que ela não tivesse nem notícia de seus próprios amigos. Mas durou pouco. Numa rápida varredura no meu cérebro eu me dei conta de que conheço bem menos meus amigos hoje do que conhecia há 5 ou 10 anos atrás.
Calafrios à parte fiquei marinando esse assunto na cabeça. Então, ontem fui visitar uma tia que tinha acabado de se mudar. Depois de circular pela casa chegamos em um belo quintal nos fundos. Minha mãe aliviada disse: "Poxa, que espaço bom pra receber os amigos!" - Silêncio - "Se bem que hoje as pessoas parecem ocupadas demais". Todos presentes sentiram o peso da frase.
Não sei o que você que está lendo esse texto vai achar disso. Mas eu acho que tem algo MUITO errado acontecendo hoje em dia. E não venham me dizer que é trabalho ou outra coisa porque nos últimos 150 anos as relações sociais e empregatícias são as mesmas. Lembro-me muito bem do constante entra e sai dos amigos dos meus pais em Salvador quando pequeno. Prática que meu pai continua seguindo a risca. Seja segunda ou sábado você vai ser recebido em sua casa com o melhor Whiskey e um longo bate papo (passando por temas polêmicos como religião e outros não tão polêmicos como alienígenas).
Já um pouco mais velho, quando vim pro Rio morar com minha mãe em um cubículo em São Gonçalo me recordo das feijoadas e carangueijadas feitas no quintal comunitário da vila (mal cabia a gente na casa, quanto mais os convidados). Durante a semana não era estranho aparecer um amigo pra dividir um angu ou um caldo verde.
Nos mudamos pra uma casa bem maior. O churrasco passou a ser uma marca registrada. Chegamos a fazer um com 80 pessoas no aniversário de minha falecida avó. Audição de CDs de Jazz e degustação de vinhos não tinham dia nem hora marcada por aqui.
Na minha adolescência eu passava a semana inteira com meus amigos (inclusive com os que trabalhavam). Eu matava aula e tomava café da manhã na casa de um, jantava na casa de outro e assim foi até a faculdade. Quando de repente, o mundo pareceu realmente estar ocupado demais pra qualquer coisa.
Eu achei que era só eu. Mas percebi que nitidamente as pessoas deixaram de sair de casa. Por qualquer motivo que seja. Até quando sou convidado pra pequenas reuniões elas são realmente pequenas (quando não são dupla de casais). E eu acho isso uma pena. Todos os meus grandes amigos que conheci nos últimos 10 anos me foram apresentados dessa forma, sem muita cerimônia, em um bate papo furado regado a teoria de conspiração, filmes ruins e cerveja.
Hoje em dia não consigo montar uma party de 3 pessoas em D&D. Pra conseguir alguém pra jogar um jogo de luta no XBOX eu preciso marcar na agenda com meu vizinho. Até pra jogar na rede o evento precisa ser marcado com antecedência. Arranjar companheiros de viagem nem pensar, né?
Minha namorada outro dia disse: "A gente conhece as melhores pessoas, mas talvez não as certas".Talvez alguém esteja pensando isso de mim também. Mas como um interessado no comportamento humano esse assunto vai ser sempre um desafio pra mim.
1 comentários:
Juro que pensei muito sobre o que escrever aqui... Mas, a única coisa que consigo fazer, é parar para pensar. Obrigada por me proporcionar o "estalo" para essa reflexão.
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