24 de outubro de 2011

Real Steel - Gigantes de Aço (2011)



Existem elementos recorrentes em filmes voltados para o público infanto/juvenil, e a idéia do pai ausente (ou da figura masculina ausente) na vida de pré adolescentes já foi trabalhada em diversas projeções. Mas isso não não chega a ser um demérito em "Real Steel" pois a força desse clichê bem trabalhado sempre vai ecoar na mente, ou nos corações, não só dos pequenos mas nos de muitos adultos que precisam lidar com os próprios filhos ou situações guardadas no armário com seus velhos pais.

"Real Steel" conta a história de Charlie (Hugh Jackman) um ex lutador de boxe que atualmente vive de brigas de robôs em um futuro onde as máquinas substituíram os seres humanos nos combates para o entretenimento. Após diversos revezes com seus robôs, Charlie tenta dar um golpe com a guarda de seu filho (nunca reconhecido por ele) na tentativa de extorquir dinheiro dos parentes após a morte de sua ex-mulher. Para isso ele precisará passar um verão com seu filho em uma situação estranha para ambos já que eles nunca se conheceram.

A história não é nada genial. Mas eu me pergunto o quanto de originalidade se espera em um filme "pop" e comercial como esse (e outros). Você sabe pra onde o filme vai, mas isso não impede que você aproveite o passeio. E é um belo passeio. "Real Steel"é um filme cheio de energia e coração que se beneficia de trabalhar com gêneros e sub-gêneros que o público é familiarizado, usando a tecnologia como desculpa para contar uma história sobre seres humanos.

Já em sua abertura somos apresentados à Charlie, que aparece sobreposto melancolicamente pelo reflexo de um enorme parque de diversões, e sem nenhuma fala sabemos que aquela mistura de tecnologia e entretenimento fazem parte da história do protagonista. A direção de arte é eficiente criando um futuro próximo (2020) bastante convincente e sem exageros. De forma inteligente ela evoca o retrô na arquitetura e no design (repare os banners das lutas) que com sua geometrização e paleta dessaturada não entra em conflito com as luzes e o neon do circo criado em torno das lutas. Há uma cena onde Charlie encontra seu filho Max pela primeira vez após 11 anos e o distanciamento entre os personagens é retratado nos pórticos gigantes de entrada da fachada do ginásio (de robôs) fazendo os personagens ficarem minúsculos em cena.

A direção de arte também trabalhou com capricho nos cenários (a luta em um zoológico abandonado transformado em arena é de uma criatividade memorável.) me lembrando muito "A.I - inteligencia Artificial - 2001". Também é interessante notar o contraponto em como o ser humano lida com a tecnologia de forma mais banal e menos subserviente do que em outras projeções que nos mostram escravos ou deslumbrados demais com a tecnologia. 

A química entre os protagonistas (e eu de forma herege incluo o robô no trio) funciona com mais empatia do que talento ou técnica na interpretação. Tudo meio no automático (menos o robô). Jackman é um carismático por excelência e o robô é antropomorfizado na medida certa, com olhos simétricos e uma costura na altura da boca que o faz parecer mais humano do que os diversos outros robôs que aparecem no filme. Mas não só isso, após encontrar o robô, Max dá um banho nele e descobre seu nome por trás da lama. Uma belíssima cena de batismo que aumenta nosso elo com os personagens. O roteiro tenta trabalhar a ideia de que existe alguma conexão superior entre Max e o robô mas não chega a amarrar a premissa, o que de certa forma evita que o filme caia no pieguismo. O robô é apenas um robô. Me lembrou muito "Marley" onde a produção evitou cair no mesmo erro. Marley é apenas uma cachorro.

Misturando com eficiência todos os elementos de um filme de boxe com uma boa dose emotiva (já vistas em "The Champ - 1979" e "Over the Top - 1987") "Real Steel" trabalha superficialmente diversas outras camadas (relações humanas X tecnologia) sem ofender o público de nenhuma faixa etária.

21 de setembro de 2011

9 Coisas que aprendi com o Luccas

9 anos com Luccas. 1 lição pra cada ano.



1 - A ser mais simpático com gente que eu não conheço
2 - Toda refeição à mesa com a família é motivo pra brindar
3 - A não ter medo de nada
4 - É sempre melhor dormir com mais alguém
5 - A não colocar dificuldade nas coisas
6 - A beber mais leite
7 - A ser mais carinhoso
8 - A lidar melhor com adultos
9 - A lidar melhor com crianças

Quando ele fizer uns 20 eu devo ter aprendido mais um punhado de coisas.

6 de setembro de 2011

REALISMO, PRECISIONISMO E REGIONALISMO


A partir de hoje vou tentar falar um pouco sobre artes plásticas (especialmente do século XX em diante, acho que já se falou muito das obras anteriores). Para que esse blog traga elementos diferentes do que se pode encontrar em outros sites de referências vou tentar tratar de pontos específicos nas telas apresentadas.

Hoje falarei do REALISMO e escolhi o quadro de um dos meus artistas prediletos, Edward Hopper, em especial pela riqueza de detalhes que podemos retirar da tela.

Hopper trabalhou como ilustrador de revistas, e embora não gostasse do trabalho, essa atividade apurou sua habilidade composicional. Em suas telas contidas, indiferentes e realistas, Hopper trabalha com uma marcante sensação de solidão, alienação urbana, isolamento, melancolia e um certo cinismo com o qual convida o espectador a compartilhar dessas emoções (perceba como a linha do horizonte costuma estar da metade pra baixo em seus trabalhos onde a tela funciona como uma janela colocando-o como parte das cenas retratadas)




Nome: Nighthawks - 1942
Autor: Edward Hopper
Contexto Histórico/Artístico: O começo do século XX foi marcado pelo amadurecimento das técnicas de fotografia, o que levou artistas plásticos a redefinirem sua contribuição artística pictórica. Depois da 1ª Guerra Mundial, os artistas entraram no espírito da celebração da mecanização e da velocidade que geraria o modernismo. O termo "Realismo" (que ocorreu junto com Precisionismo e Regionalismo) representa uma tendência geral de artistas americanos em se distanciar da influência modernista européia. O tema cotidiano nas áreas proletárias (urbanas e rurais) convida o espectador a criar contexto e interpretar as situações propostas.


1 - O lado mais nobre do campo é o direito por excelência (se você é ocidental) e é onde os artistas (diretores de cinema, artistas plásticos) revelam algo ao espectador. Aqui o contraste é claro. Do lado esquerdo uma escuridão sinistra, ao ponto que ao lado direito temos a "ação" marcada pela luz fluorescente do restaurante dando um ar teatral aos personagens.

2 - A fachada curva do restaurante não tem portas. Hopper cria diversos distanciamentos nesse quadro e colocar os personagens em um aquário inacessível é um deles. 

3 - Ainda falando de distanciamento, percebam como os personagens não interagem entre si. Apesar de parecer um casal, a mulher e o homem estão presos em seus pensamentos. Eles só parecem próximos na verdade pelo grande vazio ao redor deles. A mão que quase se toca é uma pegadinha de perspectiva (já que a mão dele está a frente definitivamente não encostando na dela) mais uma vez reforçando a ideia de solidão. O terceiro cliente mal é percebido na primeira vez em que se olha para a tela (já que tendemos a correr os olhos da esquerda para a direita totalmente atraídos pela luz) entretanto ele é um forte elemento de composição, seu anonimato salienta o senso de realidade ensimesmada e impenetrável da pintura.

4 - A rua deserta, as janelas escuras, a vitrine melancólica, os bancos vazios. Todos esses elementos potencializam o que acontece dentro do restaurante.

5 - Cuidadosamente Hopper usa as cores mais fortes para determinar exatamente a atenção focal desejada. Pintando o vestido de vermelho e o cabelo de ruivo, Hopper garante que o campo visual do espectador gravite em torno da mulher e não se perca na escuridão nem na luz.

6 - As duas cafeteiras servem como contrapeso masculino/feminino ao casal sentado no bar e assumem tanta importância como moldura da cena que chegam a compor como se fossem mais dois clientes.

Convido o leitor a compartilhar análises de outras belíssimas obras de Edward Hopper. Percebam como alguns elementos já citados se repetem. E lembre-se, se se sustenta na tela, você provavelmente está certo.

   Room in New York - 1932
                                     
 New York Movie - 1939
                                       
Summer Evening - 1947
                                                                                    
Excursion into Phylosophy - 1959 (Essa obra é tão fantástica que devo fazer um post pra ela também)


                                                 

16 de agosto de 2011

Sucker Punch ( O soco do Otário)



Antes de começar a falar sobre o filme gostaria de dizer que só consegui analisar os primeiros 25min do filme. Após 25min não existe absolutamente nada que mereça crédito.

Sucker Punch conta a história de Baby Doll, uma adolescente que na tentativa de salvar sua irmã menor de ser estuprada por seu padrasto acaba matando-a e é internada em um hospício como parte do plano maligno de seu padrasto em roubar a herança da família. Na tentativa de sobreviver à experiência terrível da internação (já que parte do staff do hospício abusa das meninas) Baby Doll escapa para um mundo de fantasia onde pode elaborar sua fuga.

Dirigido pelo "revolucionário" diretor Zack Snyder, Sucker Punch constantemente pula da fantasia à realidade sem a menor hesitação, e o fato da realidade de Zack Snyder já ser extremamente estilizada compromete os saltos (falha que não aparece no também extremamente estilizado "Noiva Cadáver" de Tim Burton). Outro fator que compromete a identificação com quase qualquer elemento do roteiro é a abertura do filme, onde é aberta uma cortina e a história começa a ser contada a partir de um palco, um aviso ao espectador de que nada daquilo é real.

Dito isso Snyder abre (mais uma vez) o filme com um video clipe em slow motion. Porém, se a escolha pareceu sensata ao fazer uma apresentação do mundo em que se desenrola a história de "Watchmen" aqui soa completamente inadequado para tratar de temas como assassinato, abuso sexual, incesto e pedofilia. Ao ser levada ao hospício, onde os vilões discutem o destino da protagonista na frente dela, descobrimos que as meninas serão violentadas sexualmente, e nesse momento Snyder perde a mão dos critérios que ele vai utilizar pra conduzir o conflito dos personagens. Se por um lado Snyder usa TODOS os eufemismos e metáforas possíveis pra não precisar mostrar as cenas em que elas realmente são violentadas, por outro ele inunda todo o filme com o máximo de fetichismo possível. Mas é fácil imaginar o critério decisivo: ser cool. Pouco importa se tem alguma função narrativa ou artística, o importante é ser cool.

Para ilustrar, vejamos a primeira cena em que Baby Doll parte para a fantasia. A protagonista aparece em um cenário asiático, em frente a um templo iluminado. Ao adentrar ela é recebida por um monge sentado em frente a um altar com velas. Você já viu todos esses elementos e sabe o que eles significam. Mas não aqui. O conselho que o suposto mentor dá para a protagonista são duas pistolas!!! Por que se utilizar dos elementos gráficos do mestre Zen? Simples, porque é cool!! 

O primeiro "desafio" de Baby Doll é vencer 3 samurais gigantes (de pedra?). Sendo que um deles está armado com uma gatling gun colossal. Samurais com armas de fogo são cool! Se isso tudo não soa absurdo o bastante, sua suspensão voluntária de descrença vai para o espaço quando Baby Doll é chutada a centenas de metros, derruba duas paredes e faz um buraco no chão ao cair e não sofre NENHUM arranhão. A partir daí o filme se torna chato, já que não há consequências para nada que acontece na tela.

A falta de coesão em estabelecer regras às realidades alternativas enfraquece toda a projeção, já que ao desconhecer forças e fraquezas dos personagens só resta ao espectador aguardar o fim do filme enquanto assiste a protagonista ir do ponto "A" ao ponto "B" como em fases de video game. Em linhas gerais, se Zack Snyder queria fazer uma analogia ao "poder feminino", o que ele demonstra no filme é que uma mulher só pode vencer a opressão masculina no campo da imaginação ou vestida como stripper e se utilizando do sexo no mundo real.







24 de junho de 2011

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Para quem gosta de Vince Vaughn sabe que sua presença em um filme é garantia de entretenimento. Na maior parte de sua carreira teve a sabedoria (ou a sorte) de trabalhar com diretores que sabiam aproveitar o melhor de sua atuação. Quase sempre interpretando papéis de adultos que se recusam a amadurecer, Vaugh carrega o mesmo personagem de um filme para outro, o que de certa forma facilita o processo de identificação com o protagonista.

"The Dilemma" conta a história dos empresários Ronny Valentine (Vince Vaugh) e Nick Brannen (Kevin James) em busca de um contrato com uma grande marca automobilística. Porém, tudo pode dar errado quando Ronny descobre que a esposa de Nick, Geneva (Winona Ryder), mantém um caso extra conjugal, e a partir daí, Nick precisa se decidir se revela a respeito da infidelidade de Geneva, pondo em risco a estabilidade mental de seu parceiro em um momento tão delicado, já que precisam terminar um protótipo para fechar o negócio.

Apesar de partir de uma premissa simples, Ron Howard e seu diretor de arte nos levam através da trama de forma visualmente elegante e inventiva. Gastando pouco tempo de filme em sua abertura consegue estabelecer a relação de comunhão dos principais personagens à mesa se divertindo e contando velhas histórias. E com poucas cenas já sabemos exatamente o tipo de pessoa que Ronny é: um sujeito afiado, que resolve tudo na lábia, em oposição ao seu parceiro Nick, o gênio recluso da dupla com crises de ansiedade e ataques de pânico.

Howard habilmente manipula na tela o estado mental de Ronny, tendo que durante todo o filme administrar uma situação que claramente não é capaz de lidar. Tirando partido de elementos urbanos em oposição à solidão do personagem, ou apenas acentuando o desespero do mesmo, a direção de arte ainda utiliza metafóricamente marcas visuais (machucados, roupas amassadas) para deixar claro que aquele atrapalhado Ronny está fora de seu ambiente. Inclusive duas cenas com peixes fora d´agua me fazem acreditar que esse era exatamente o objetivo. 

Alguns planos são dignos de menção. Notem como a cozinha que Beth trabalha (Jennifer Connelly) está viva no começo do filme, com pessoas, fumaça e comidas coloridas, e aparece limpa e estéril em um momento difícil em seu relacionamento com Ronny. Em outro momento, saímos de um agradável e aconchegante bar com revestimento em madeira e somos jogados em um hall corporativo frio, em concreto, com pé direito altíssimo, quando os personagens se dão conta dos problemas que terão pela frente. Mais adiante, com um lindo plano geral, o diretor coloca lado a lado o estacionamento da mesma empresa com diversos carros por onde circula Ronny e um rio caudaloso, que representa ainda um obstáculo a ser superado pelo protagonista.

Ron Howard dirigiu diversos gêneros cinematográficos (de "Cocoon" passando por "Uma mente brilhante" até "O código Da Vinci") e sabendo disso, talvez não soe tão estranho o fato de que a parte dramática pareça funcionar bem melhor que a parte cômica do filme.  Além disso, o roteiro consegue fugir do uso do humor pateta para sentimentalizar fraternidade e infantilizar masculinidade. Guardando algumas surpresas para o terceiro ato sem parecer moralista, The Dilemma talvez seja o melhor filme de Vaugh desde "Penetras bons de bico".


4/5 Leopardos

21 de junho de 2011

14 Blades (2010)

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O gênero ação/aventura chinês sempre me fascinou.  Desde as produções da antiga China Video, onde era louvável o uso de diversos artifícios mambembes em prol de boas cenas de ação até o casamento recente com a indústria de efeitos especiais, que deu um ar épico a algumas projeções. Mas somente a algumas. 

"14 Blades" conta a história de Green Dragon (Donnie Yen), um agente secreto de elite, que é traído em uma missão e precisa chegar até o imperador no sentido de impedir uma trama maligna. Pelo menos foi isso o que eu entendi, pois o filme fracassa em todos os seus atos e fica difícil estabelecer a relação dos personagens, suas motivações e contra o que realmente eles estão lutando.

Já em sua abertura o roteiro se preocupa em descrever exaustivamente as "14 espadas" e por que foram criadas. Infelizmente isso se revela totalmente desnecessário durante a projeção, pois em nenhum momento vemos a real utilidade das 14 lâminas. Se Green Dragon tivesse só uma espada, teria dado conta do recado do mesmo jeito.

Essa incoerência acontece durante todos os 3 atos. Se por um momento o roteiro e direção de arte perdem tempo mostrando gadgets steampunk e descaracterizando anos de linguagem visual oriental, minutos depois somos apresentados a poderes "místicos" que me fazem perguntar o porquê de investir em "tecnologia" se é mais eficaz estudar "magia". A partir daí o filme não se permite uma lógica visual pulando do steampunk para o western passando por piratas (não orientais) e longos planos com temática árabe (sim, árabe, e com direito a trilha sonora). Diante disso o filme se sabota em sua própria temática e falha em estabelecer qualquer ligação entre o espectador, o mundo em que se passa a história e os personagens.  

Além disso, a montagem não permite uma clareza do enredo incluindo desnecessárias narrações em "off" onde o filme poderia claramente mostrar ao invés de contar certos acontecimentos (o começo e o fim do filme, por exemplo). Também não é justificável certos personagens aparecerem (e desaparecerem) quando é conveniente ao roteiro. A própria direção comete os mesmos erros não se decidindo como filmar os planos. Sendo assim, uma casual conversa pode ser filmada com rápidos cortes e câmera “tremida” e uma cena de ação com o deselegante zoom in sem a menor função narrativa.

 O filme poderia se recuperar se pelo menos tivesse boas ou belas lutas (como "Hero", "Clã das adagas Voadoras" e "O Tigre e o Dragão" apenas para citar alguns). Porém em todas as lutas eu tive saudades da antiga China Video.  Se não era a câmera insistente em planos fechados, cortes rápidos e um total desconforto em utilizar o slow motion era a direção de arte misturando paletas dos figurinos com a cenografia em uma escuridão inexplicável. Mesmo em cenas diurnas (que são raras, pois boa parte do filme se passa numa madrugada eterna) os personagens correm para lutar em calabouços ou estalagens escuras. Uma pena, pois quem pôde conferir " Yip man" 1 ou 2 sabe que Donnie Yen é um lutador/ator talentosíssimo.

"14 Blades" é um filme  feito para agradar os fãs de anime e live action com uma história mal costurada que serve exclusivamente como ponte entre as cenas de lutas. Infelizmente a direção de arte atrapalhada e um diretor pouco habilidoso com a linguagem do cinema conseguem frustrar as expectativas mesmo de um espectador pouco exigente.


2/5 Leopardos

16 de junho de 2011

PAUL - 2011


Paul é um filme com elementos que andam ausentes em diversas produções atuais. O primeiro é a habilidade em ser um filme fabulesco sem parecer em nenhum momento infantil (e é claro que um protagonista cético e desbocado facilita o trabalho). O Segundo é a elegância com que  o roteiro destila sua crítica/homenagem à cultura pop americana dos últimos 30 anos, mesmo sendo uma comédia rasgada.

Paul conta a história de um alienígena, que dá nome ao filme, em sua tentativa de regresso ao planeta natal após sofrer um acidente e ter ficado preso na Terra durante anos sob custódia das autoridades. Durante sua fuga ele conta com a ajuda dos recém-conhecidos nerds Graeme Willy(Simon Pegg) e Clive Gollings (Nick Frost) enquanto são perseguidos pelo implacável agente Zoil (Jason Bateman).

Já nos primeiro minutos do filme o roteiro dá o tom quando Gollings diz para Willy "Mesmo estando tão longe de casa, me sinto bem aqui" se referindo à feira Comicon realizada anualmente em San Diego nos Estados Unidos. Mas a frase é mais abrangente. Ela se refere ao domínio dos roteiristas em explorar a cultura pop americana mesmo sendo naturais da Inglaterra. E a maneira como as referências pipocam de forma orgânica na tela durante toda a projeção confirmam a metalinguagem sugerida.

Em seu filme anterior (o ÓTIMO "Hot Fuzz"), Pegg já havia apontado sua crítica aos valores e costumes ingleses. Desta vez quem não escapa são os americanos. O "redneck" truculento e boçal, o agente federal ambicioso, imigrantes, o nerd obtuso e o fanático religioso vão sendo utilizados como munição. Aliás, o tema religião é abordado abertamente no filme rendendo uma belíssima poesia visual quando somos apresentados a uma personagem cega de um olho que passa a enxergar com ambos os olhos após ter tido uma "revelação" científica. Brilhante.

A direção de arte de Richard Fojo confere um ar vintage e divertido ao filme desde a escolha das cores pastéis, utilizadas tanto na cenografia quanto no figurino, até o manejo de elementos visuais que nós mantém no clima de aventura sem malícia. Percebam como não há gadgets eletrônicos como celulares e computadores, salvo por parte dos antagonistas que também dirigem pick ups pretas modernas em oposição ao furgão colorido dos heróis. De maneira hábil Fojo mantém um "glow" dourado, mágico, que pontua diversas cenas e escolhe elementos como ternos, iluminação fluorescente e o frio concreto pra representar os vilões.

No decorrer da projeção é preciso ficar atento às inúmeras referências e sátiras em cima de medalhões como "De volta para o futuro", "E.T", "Contatos imediatos de terceiro grau", "Indiana Jones" e "Star Wars" só para citar alguns. Quando os protagonistas param em um bar no meio da estrada, prestem atenção à música que está sendo tocada pela banda.

Repleto de reviravoltas e abusando dos clichês sem deixar de soar original, Paul resgata a ingenuidade dos filmes antigos sob uma ótica atual.

4 de dezembro de 2010

Linguagem corporal. Um dos meus assuntos prediletos e um dos menos comentados por aqui. E vamos direto ao assunto:




Perceberam algo em comum nas imagens? Notaram a mão marota no tronco? Isso não é mera coincidência. Quando desejamos demonstrar uma relação de posse, nossa reação natural é exatamente essa. Uma tentativa de conectar o que está sendo exibido a nós mesmos. É uma mensagem não verbal dizendo " isso aqui tem dono". É um ato exclusivo de vaidade. Um "show off".

Vejam um outro belo exemplo:

DIscreta, mas lá está a mãozinha. Percebam a relação de posse clara que essa imagem ilustra e tentem imaginar como que a retirada da mão anula completamente o efeito de posse. Seria apenas uma mulher em frente a um carro. 

E depois desta breve descrição, será que você ainda vê essa imagem com os mesmos olhos?

 

3 de novembro de 2010

Busquem conhecimento

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Você gostaria de saber mais? Não importa o assunto, eu tenho certeza que você gostaria de reter mais informações do que realmente consegue atualmente. Tem problemas com provas? Dificuldade em estudar? E se eu disesse que você pode aprender muito mais, estudando muito menos? Não tenho a poção mágica, mas leia com atenção algumas dicas que podem mudar o seu relacionamento com qualquer material de estudo.

Existe uma enorme diferença entre as pessoas ESPERTAS e as pessoas INTELIGENTES. Eu conheço muita gente inteligente, conheço poucas espertas. Se você quiser identificá-las a conta é bem simples. Meça o quanto ela sabe e o quanto ela aplica na própria vida. O ideal é 50%-50%. Compare resultados díspares. E lembre-se que hoje em dia ser inteligente não é diferencial pra muita coisa (até porque dá pra fingir muito bem).

AUTONOMIA - MAESTRIA - PROPÓSITO

Você vai se beneficiar desses 3 princípios motivacionais se quiser aprender algo de forma "rápida e indolor".

1 - Autonomia: É a idéia de que governamos nossas vidas e tomarmos nossas próprias decisões. Geralmente temos resistência a ler aquele livro extraclasse justamente por não ter sido uma escolha nossa. Agora que você é grandinho pode parar de culpar os outros e tomar as rédeas do que você realmente precisa aprender.


2 - Maestria: É o desejo natural do ser humano em ser bom em algo. É por isso que muitas pessoas se dedicam a estudar algum instrumento musical. Não é pra viver de música, e sim pra serem boas em alguma coisa. Isso se aplica pra uma gama quase infinita de atividades humanas e estudo é uma delas.

3 - Propósito: É o sentido que damos pra nossas ações. Você trabalha pra ganhar dinheiro ou pra sustentar sua família? Você compra uma casa ou um sonho? É precisa trabalhar o mapa mental da percepção que você dá ao estudo em si.

No próximo post você vai descobrir o segredo por trás de toda metodologia que diz que você pode aprender violão em 1 semana ou inglês em dois meses.

15 de abril de 2010

Gambits de conversação


http://www2.warwick.ac.uk/fac/arts/languagecentre/teachertraining/latte/group-of-people-talking.jpg

Você provavelmente já passou por uma situação como essa. Você está batendo papo com alguém muito falante e elétrico – tanto que se você fizer uma pausa para respirar, ele se intromete com as próprias opiniões e comentários! Até mesmo manter a sua sequência de ideias pode ser uma experiência frustrante – isso sem falar em conseguir expressá-las adequadamente. 

Em situações iguais a essa, muitas pessoas adotam a atitude "fazer o quê!" – simplesmente desistem e permitem que o falador entusiasmado continue falando. Agora, na remota possibilidade de que, em uma ocasião fora do comum, algum de nós possa se sentir culpado por falar muito e com entusiasmo, apresento este artigo que ensina como melhorar a sua comunicação falando menos!

Para alguns, isso pode exigir um pouco de esforço porque uma vez que a boca se prepara para acelerar, é difícil parar. As famosas Pistas Visuais de Acesso nos habilitam a reconhecer que alguém pode estar pensando por meio de imagens, sons, sensações, ou através do diálogo interno. Isto é muito valioso como forma de entender e melhorar como você se comunica com esta pessoa. Porém...uma das aplicações mais importantes desse modelo é raramente comentada: quando os olhos de alguém estão se movendo, permaneça em silêncio...

Vamos repetir de novo para enfatizar: enquanto os olhos da outra pessoa estão se movendo, você permanece quieto e permite que ela pense.

Por que não fazer como nos velhos tempos?

O movimento dos olhos indica que uma pessoa está pensando – ela está processando a informação – ela provavelmente está examinando as imagens dela, os sons, as sensações e tendo diálogos internos silenciosos. Se você falar demais e não der espaço para ela pensar, você interrompe o processamento dela e: 

1. Você diminui significativamente a qualidade da sua interação com ela – o que significa que, um ou outro, ou ambos, não vão conseguir o que precisam deste encontro em particular.

2. Você pode frustrá-la – especialmente se o assunto for complexo ou importante visto que você não permitiu que ela considerasse todos os resultados possíveis na proporção ou na extensão adequada para ela.

3. Você demonstra egoísmo porque está tentando impor a ela o seu ritmo de pensamento e fala – em vez de respeitar a necessidade dela. (Este é o caso se você pensa principalmente por meio de imagens e a outra pessoa através de sensações, visto que "conferir as próprias sensações" toma um tempo consideravelmente maior do que escanear as imagens.)

Processamento cinestésico

Muitas pessoas que se valem do processamento cinestésico – elas pensam por meio das suas sensações – podem se comportar como "vagarosas" porque, na verdade, elas o são em comparação com alguém que processa, digamos, visualmente. Isto é, elas são detalhistas e cuidadosas (mas seguramente não são pessoas lerdas).

Por exemplo, digamos que Martina é uma pessoa adulta que pensa principalmente de modo cinestésico. Martina gosta de considerar as coisas em detalhes, de conferir como ela se sente com estas coisas e escolher as palavras com cuidado, porque ela quer ser capaz de expressar as sutis nuances das sensações que ela é capaz de experimentar.

Agora, na escola, é muito provável que as professoras tenham ficado impacientes com as respostas refletidas para as perguntas delas. E que os outros alunos rissem da "lentidão" dela. E que nos debates, ela só vai pensar em alguma coisa que gostaria de ter dito minutos ou horas depois que o debate terminou, e foi "vencido" pelos especialistas visual/auditivos de pensamento mais rápido. Por isso, depois de muitos anos processando desse modo, não será surpresa se a frustração dela crescer e conduzir, ocasionalmente, a explosões de raiva ou até de violência.

Os três R’s – e os benefícios de permitir "tempo para pensar" 

Básico, em todos os nossos cursos de PNL, é o conceito de Respeito, Reconhecimento e Restabelecimento da confiança. Por isto, tendo considerado alguns dos "Afastando-se de", vamos agora olhar para alguns dos "Em Direção" – os benefícios ao permitir que a pessoa pense no seu próprio ritmo em vez de interrompê-la ou tentar apressá-la?

Respeito: ao permitir que a conversa progrida no ritmo apropriado ao estilo do pensamento dela, você está demonstrando, a um nível muito profundo, o seu Respeito ao Modelo do Mundo dela. Isso cria um rapport poderoso e subliminar.

Reconhecimento: você está reconhecendo e respondendo à comunicação não verbal dela – ao movimento dos olhos e ao padrão de contato visual dela. Desta maneira, você está aumentando mais o rapport através do não verbal, indicando que você reconhece quando ela precisa "ir para o interior" e quando ela está pronta para você falar.

Restabelecimento da confiança: você está criando um "ambiente seguro" – o elemento chave no Restabelecimento da confiança. A pessoa tem a experiência de que o modelo do mundo dela está sendo respeitado e que ela está sendo tratada de maneira idêntica. Tentar encorajar uma pessoa a fazer algo que ela não quer só porque nós a consideramos muito devagar, muito maçante ou muito cansativa, não a fará se sentir mais confiante...

Pontos de ação

Como com qualquer habilidade nova, é melhor introduzir o "dar tempo para as pessoas pensarem" um pouco de cada vez – tentar fazer isso em cada interação a partir de agora, provavelmente irá interferir com a sua competência normal.
Nas próximas semanas, selecione apenas uma conversa por dia e, nos primeiros minutos dessa conversa, observe os movimentos dos olhos da outra pessoa.
Quando você enxergar os olhos dela se movendo – espere, embora possa parecer difícil – até que ela faça contato visual com você de novo.
E, se às vezes, o seu entusiasmo ou sua impaciência se impuserem e você cortar o pensamento dela, peça desculpas. Não será apenas uma cortesia, porque com isso você demonstra sutilmente que está, realmente, prestando atenção tanto na comunicação não verbal como na verbal.
Finalmente, se você não passa muito tempo interagindo com pessoas no seu dia a dia, procure uma oportunidade quando você estiver fazendo o que faz normalmente e fale com as pessoas porque assim você pode "se ligar" nas suas habilidades de PNL. Apenas um minuto ou dois, uma ou duas vezes por dia, irá fazer uma diferença significativa.

Reg Connolly é Trainer Certificado e Master Practitioner de PNL, treinador de administração e de vendas

Artigo Original: http://www.nlp-now.co.uk/nlp_eye_movements.htm.